Você chega na concessionária achando que carro PCD é tudo isento e que o desconto cai parejo em qualquer modelo. Não cai. Em 2026 existem três impostos diferentes em jogo, o IPI federal, o ICMS estadual e o IPVA também estadual, e cada um tem o seu próprio teto de preço. O resultado é que um carro de R$ 68 mil sai com a isenção cheia, um de R$ 90 mil já perde parte do ICMS e um de R$ 150 mil só ganha o abatimento de IPI. Por isso não dá para listar "os melhores PCD" numa fila só. Organizei os modelos pela faixa de isenção que cada preço alcança, do teto da isenção total até o limite de R$ 200 mil do IPI, e em cada faixa aponto o que você ganha de fato e o que continua pagando. Antes de mais nada, leia os preços com cuidado: são valores de referência, não cotações fechadas, e dançam conforme a versão, o estado, a semana e o bônus de fábrica que estiver valendo. Quem deu cada número eu identifico ao longo do texto e reúno no encerramento. Já adianto: o que mais machuca não é o preço, é o prazo de revenda. Volto nele.
As três faixas que decidem o seu desconto
Antes da lista, fixe os tetos, porque é onde quase todo mundo se confunde no balcão. A isenção total de ICMS, prevista no Convênio ICMS 38/2012, vale para veículos de até R$ 70 mil; entre R$ 70 mil e R$ 120 mil a isenção de ICMS é parcial, e acima de R$ 120 mil não há isenção de ICMS nenhuma. O IPI é outra história e mais generoso: em 2026, durante a transição da Reforma Tributária, ele é isento para carros novos de até R$ 200 mil, com efeitos garantidos até 31 de dezembro de 2026. O IPVA é estadual e muda de UF para UF; em São Paulo, por exemplo, segue a Tabela Fipe com isenção total até R$ 70 mil, desconto parcial de R$ 70 mil a R$ 120 mil e nada acima disso, limitado a um veículo por CPF. Para qualquer um desses benefícios, o carro precisa ser nacional, ter motor de até 2.0, no mínimo quatro portas e ser flex, híbrido ou elétrico. Guarde esses três números, R$ 70 mil, R$ 120 mil e R$ 200 mil, porque são eles que separam os modelos abaixo. Alerta de quem já correu atrás: o CONFAZ prorrogou a isenção de ICMS, que terminaria em 30 de abril, até 31 de dezembro de 2026 pelo Convênio ICMS 21/2026, mas cada estado precisa internalizar isso por decreto; o Paraná fez pelo Decreto 13.520, de 7 de maio. Confirme se o seu estado já publicou o dele antes de assinar.
Faixa total: até R$ 70 mil
Esta é a faixa que vale ouro, e também a mais apertada. Só aqui você zera IPI, ICMS e, em estados como São Paulo, também o IPVA. O problema é que carro 0 km abaixo de R$ 70 mil em 2026 praticamente não existe no preço de tabela cheio. Quem alcança esse teto chega pela combinação de isenção de IPI, ICMS parcial e bônus de fábrica empilhados, derrubando o preço final de modelos que de tabela custariam mais. O Fiat Argo é o caso clássico: parte de versões que, no programa PCD de fevereiro de 2026, começam perto de R$ 84.748, com descontos entre cerca de R$ 9,7 mil e R$ 21,8 mil sobre o varejo.
Fiat Argo Trekking 1.3 PCD 2026
Preço PCD a partir de ~R$ 84.748 na Trekking 1.3 MT (fev/2026, aprox.), já com isenção de IPI, ICMS parcial e bônus de fábrica, com descontos que vão de cerca de R$ 9,7 mil a R$ 21,8 mil sobre o varejo. Na Tabela Fipe, o Argo 2026 varia de ~R$ 77.330 a ~R$ 98.142 conforme a versão (estimativa). É apontado como uma das opções mais acessíveis para PCD no início de 2026. Para quem: quer o menor custo de entrada num hatch de marca com rede ampla e mira a versão mais barata para se aproximar do teto da isenção total. Atenção: confirme se a versão escolhida fica de fato dentro do teto de R$ 70 mil do ICMS depois de aplicados os abatimentos, porque acima disso a isenção vira parcial.
Na prática, encaixar um 0 km dentro dos R$ 70 mil em 2026 exige caçar versão de entrada, manual, e somar todos os abatimentos. Se a sua deficiência permite dirigir câmbio manual, esse é o caminho mais barato. Se você precisa de automático por exigência médica, prepare-se para subir de faixa, porque o automático costuma jogar o preço para cima dos R$ 70 mil e empurrar o carro para a isenção parcial de ICMS. Alerta: peça à concessionária o cálculo do preço final com a isenção aplicada por escrito, não a estimativa verbal do vendedor, porque é esse número que decide se você fica na faixa total ou cai na parcial.
Faixa parcial: R$ 70 mil a R$ 120 mil
Aqui mora a maioria dos carros que o comprador PCD de verdade leva para casa em 2026. Você ainda zera o IPI, mas o ICMS passa a ser parcial e, em São Paulo, o IPVA também vira desconto e não isenção total. É a faixa dos automáticos e dos modelos mais completos, e onde entram os nomes que aparecem repetidos nas listas de elegíveis: Fiat Cronos, Pulse e Fastback, Chevrolet Onix e Tracker, Hyundai HB20 e Creta, Nissan Kicks e Versa, VW Polo, Nivus e T-Cross, Jeep Renegade, Citroën C3 e Basalt e Peugeot 208. Dois deles merecem destaque por segurança, que é o que você deveria olhar tão de perto quanto o preço.
Hyundai HB20 (versões automáticas) 2026
Um dos hatches mais vendidos e frequentemente elegível ao programa PCD nas versões automáticas, dentro dos limites de motorização. No Latin NCAP, o HB20 testado em 2023 obteve 3 estrelas, já com 6 airbags de série, referência útil de segurança nesta faixa. Para quem: quer um automático de marca com rede ampla, boa revenda e pacote de airbags mais completo, aceitando ficar na isenção parcial de ICMS por passar dos R$ 70 mil. Atenção: como o preço fica entre R$ 70 mil e R$ 120 mil, confirme quanto de ICMS você ainda paga; a isenção parcial não zera o imposto, só reduz.
Volkswagen Polo / Polo Track 2026
Outro elegível recorrente ao PCD nas versões automáticas. No Latin NCAP, o Polo/Polo Track marcou 3 estrelas no teste de 2022, com 4 airbags na configuração avaliada, abaixo dos 6 airbags do HB20. Para quem: quer o conjunto VW e a dirigibilidade do Polo dentro da faixa parcial, sem abrir mão de marca com boa liquidez na revenda. Atenção: como o teste de referência foi com 4 airbags, verifique quantos airbags traz a versão PCD que você vai comprar, porque a configuração muda a proteção real e o resultado do crash test não é automático para toda a linha.
Nessa faixa você ganha conforto, automático e itens de série, mas paga uma parte do ICMS e, em vários estados, parte do IPVA. Vale a conta fria: às vezes uma versão um pouco mais cara, com mais airbags e mais assistências, custa pouco a mais por mês no financiamento e protege muito mais. O HB20 com 6 airbags de série é um bom exemplo desse raciocínio frente ao Polo de 4. Alerta: não troque uma estrela de segurança por um acessório de vitrine; o airbag a mais vale mais que o teto solar.
Faixa só IPI: R$ 120 mil a R$ 200 mil
Acima de R$ 120 mil acaba o ICMS. Não há isenção parcial, não há desconto estadual, e em muitos estados o IPVA também volta integral. O que sobra é só o IPI, isento para carros de até R$ 200 mil em 2026 durante a transição da Reforma Tributária. Aqui entram SUVs e modelos mais equipados como Creta, T-Cross, Renegade e companhia nas versões de topo. O abatimento existe e não é pequeno, mas é menor proporcionalmente do que nas faixas de baixo, porque você perde a parte estadual. Para quem precisa de um carro maior por necessidade real de espaço ou de adaptação, essa faixa faz sentido; para quem só quer subir de modelo, o desconto compensa menos do que parece.
SUVs elegíveis até R$ 200 mil (Creta, T-Cross, Renegade) 2026
SUVs compactos frequentemente elegíveis ao PCD nas versões dentro da motorização permitida, até 2.0, flex, híbrido ou elétrico. Acima de R$ 120 mil, o benefício se limita ao IPI isento (teto de R$ 200 mil em 2026), sem isenção de ICMS e, na maioria dos estados, sem desconto de IPVA. Para quem: precisa de SUV por espaço, altura de embarque ou exigência de adaptação, e aceita que o desconto fica só na parte federal. Atenção: o IPI isento até R$ 200 mil tem efeitos garantidos até 31 de dezembro de 2026; a partir de 2027, com a Reforma Tributária, a régua muda, então a data da compra importa.
O prazo que prende o seu carro
Agora o ponto que muita gente só descobre quando tenta vender. A isenção não é um presente, é um contrato com prazo de carência. Em 2026, se você usou só a isenção de IPI, fica preso por 2 anos antes de poder revender sem perder o benefício; com IPI e IOF, são 3 anos; e com IPI somado ao ICMS, o prazo sobe para 4 anos. Ou seja, justamente o carro mais barato da faixa total, que junta IPI e ICMS, é o que te amarra por mais tempo. Vender antes do prazo significa devolver os impostos isentos, com correção. Some a isso o custo de uso real: a gasolina comum gira em torno de R$ 6,30 por litro na média nacional da ANP, que varia por estado e por semana, e desde agosto de 2025 ela é E30, com 30% de etanol anidro, pela Resolução CNPE 9/2025. Carro flex bem regulado nessa faixa ajuda no bolso mês a mês, mas o prazo de revenda é o que define se a compra foi um bom negócio ou uma armadilha de quatro anos.
Se você troca de carro com frequência, faça a conta antes: o desconto cheio da faixa total pode não compensar quatro anos de carência. Se você segura o carro por anos de qualquer jeito, o prazo não te incomoda e o benefício rende inteiro. Alerta: planeje a compra PCD em função de quanto tempo você realmente pretende ficar com o carro, não só do desconto da etiqueta.
Veredito por faixa
Faixa total, até R$ 70 mil: o Fiat Argo na versão de entrada, com PCD a partir de ~R$ 84.748 antes dos abatimentos completos, é a aposta mais realista de quem quer zerar IPI, ICMS e, em estados como SP, o IPVA, desde que aceite câmbio manual e versão básica para encaixar no teto. Faixa parcial, R$ 70 mil a R$ 120 mil: é onde a maioria compra, e aqui eu fico com o Hyundai HB20 automático pelos 6 airbags de série e suas 3 estrelas no Latin NCAP de 2023, à frente do Polo de 4 airbags; você zera o IPI, mas paga parte do ICMS e, em vários estados, parte do IPVA. Faixa só IPI, R$ 120 mil a R$ 200 mil: SUVs como Creta, T-Cross e Renegade fazem sentido para quem precisa do espaço, com o aviso de que acima de R$ 120 mil some o ICMS e sobra só o abatimento federal. Agora os limites que mudam e que decidem tudo: o teto de ICMS é R$ 70 mil para isenção total e R$ 120 mil para parcial (Convênio 38/2012); o IPI vai até R$ 200 mil em 2026, com efeitos garantidos só até 31 de dezembro de 2026; e o CONFAZ prorrogou o ICMS até essa mesma data pelo Convênio 21/2026, mas cada estado precisa internalizar por decreto, então confirme o do seu antes de fechar. O prazo de revenda é o filtro final: 2 anos só com IPI, 3 anos com IPI e IOF, 4 anos com IPI mais ICMS. A partir de 1º de janeiro de 2027, a Reforma Tributária muda a régua, isenção total sobe para R$ 100 mil, parcial até R$ 200 mil e a carência cai de 4 para 3 anos, então a data da compra entra na conta. Fontes: Câmara dos Deputados, CONFAZ, Sefaz-PR (Decreto 13.520), Sefaz-SP, Receita Federal, CNN Brasil/Auto, Deficiente Ciente, Mundo do Automóvel para PCD, Grupo AB, Webmotors, Tabela Fipe e Latin NCAP.
Perguntas frequentes
Têm direito pessoas com deficiência física, visual, auditiva, mental severa ou profunda e pessoas com Transtorno do Espectro Autista, que é reconhecido como deficiência pela Lei 12.764/2012. No caso do autismo, o direito independe do grau. A comprovação é feita por laudo médico e pelo registro na Receita Federal, via SISEN para o IPI. As regras de quem é beneficiário não mudaram para 2026.
Depende do imposto. O IPI é isento para carros novos de até R$ 200 mil, durante a transição da Reforma Tributária, com efeitos garantidos até 31 de dezembro de 2026. O ICMS é isento de forma total até R$ 70 mil e parcial entre R$ 70 mil e R$ 120 mil, sem isenção acima disso, conforme o Convênio ICMS 38/2012. O IPVA é estadual e varia por UF; em São Paulo segue a Tabela Fipe, com isenção total até R$ 70 mil e limite de um veículo por CPF.
O prazo de carência em 2026 depende de quais isenções você usou. São 2 anos se houve apenas isenção de IPI, 3 anos se houve isenção de IPI somada à de IOF e 4 anos quando houve isenção de IPI somada à de ICMS. Vender antes do prazo obriga a devolver os impostos isentos com correção. Por isso o carro mais barato, que junta IPI e ICMS, é justamente o que prende por mais tempo, quatro anos.
O veículo precisa ser nacional, ter motor de até 2.0, no mínimo quatro portas e ser flex, híbrido ou elétrico. Dentro desses limites, aparecem com frequência o Fiat Argo, Cronos, Pulse e Fastback, Chevrolet Onix e Tracker, Hyundai HB20 e Creta, Nissan Kicks e Versa, VW Polo, Nivus e T-Cross, Jeep Renegade, Citroën C3 e Basalt e Peugeot 208. A elegibilidade muda por versão e por motorização, então confirme a configuração exata na concessionária.
Para 2026 nada muda: as regras atuais de IPI até R$ 200 mil, ICMS total até R$ 70 mil e parcial até R$ 120 mil seguem inalteradas. A partir de 1º de janeiro de 2027, com a Reforma Tributária (PLP 108/24, sancionado em janeiro de 2026), o teto da isenção integral sobe de R$ 70 mil para R$ 100 mil, a isenção parcial passa a valer para veículos de até R$ 200 mil, o prazo de revenda cai de 4 para 3 anos e é revogada a exigência de adaptação externa do veículo. Por isso a data da compra entra na conta.